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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Onde começa a educação?





Em uma discussão sobre o ensino público, um professor exaltado diz: “A educação começa em casa. Os pais não educam aos seus filhos e nós é que sofremos.” “Em casa?” A educação que esse professor refere é a educação das boas maneiras, o respeito, a tolerância.  Mas porque não podemos considerar a educação de casa, válido?

A educação baseada nos costumes e cultura dos pais pode ser e  é válida, mas existem tantas culturas, e tanta diversidade na forma em que nossas crianças são criadas, que ficaria difícil dizer o tamanho dessa validade.

Sabemos que, a ditadura que o Brasil teve nos anos setenta e oitenta, com a destruição das idéias políticas, acabou com a educação. Podemos dividir a história da educação no Brasil em duas: Antes da revolução 64, e depois.

Lembro que quando tenro em idade, um simples criança, fiz uma brincadeira, com o MDB, Movimento democrático brasileiro; e falava como ouvi na escola. “Movimento dos doidos e bobos.” “fica quieto menino, você não tem medo, o governo pode te pegar”.  Na época, muita criança, não entendia que as pessoas morriam de medo do governo. Mesmo os movimentos democráticos brasileiro, que não iria persegui qualquer manifestante, faziam com que o povo sentisse um medo terrível.

A educação civil estava neste momento destruída. O povo que se manifestava era considerado inimigo do governo. O governo não aceitava crítica, ou oposição, ou seja, o que for.  Com isso, as famílias perderam a base da educação das boas maneiras.  Elas não respeitavam o governo por que era uma autoridade, que tinha o objetivo de garantir os direitos dos cidadãos.  Respeitavam,  por que sentiam simplesmente o medo de serem represados por alguma injustiça. Esse sentimento é passado de pai para filho. E com isso, se cria uma revolta contra a opressão, que não existe hoje. Não se respeita as autoridades, não se respeita os professores e estamos em um caos educacional, que assusta em muito aquele que tem um pouco de informação.

Mas onde começa a educação? Minha mãe dizia: “essa é a educação que você aprende na escola?” E o professor diz: “É em casa que se educa.” O que vejo na verdade, um jogo de empurra, empurra; onde os pais culpam as escolas, e os professores os pais. Mas quem seria responsável pela educação civil?

Na verdade todos são responsáveis pela educação. Os pais com um papel totalmente de provedores da educação. E os professores, consolidadores da educação. Os provedores, por que são os principais investidores. E consolidadores por que completam a educação dos pais.

Os pais são diversificados, com culturas diferentes, com costumes diferentes, maneira de agir diferente, religiões, rotinas; tudo diferente. E na escola, o aluno entraria em um mundo diferente do  que é a família. O contato com as outras crianças seriam o contato com as diversas culturas que existem no Brasil. Por isso, acredito que a educação civil, deveria partir das escolas, pelos educadores consolidadores. Que iriam ensinar a todos a respeitarem as diversas culturas que a ditadura deseducou. Os pais não têm essa capacidade, por que são limitados pelas experiências e afirmação de sua cultura e costumes, como por exemplo, a afirmação de sua religião.

A educação civil, onde afirma que devemos respeitar os mais velhos, respeitar os direitos dos outros, as boas maneiras, a ética, a moral, a tolerância, a questionar, não tem quem ensine no Brasil. Os ensinos religiosos, não são efetivos, porque ensinam apenas um parâmetro de uma diversidade ampla. Os ensinos como filosofia, cidadania, política são atividades de base fundamental. É de obrigação do estado, que é laico, educar o seu povo, carente de educação.

Onde começa a educação civil?

Começa na escola, onde as muitas diversidades se chocam. É na escola, que se deve ensinar que é errada a violência. É na escola, que se deve ensinar que as pessoas têm culturas diferentes e que devemos arrumar um jeito de vivermos em união, apesar das diversas opiniões que temos. É na escola, que devemos ensinar a questionar os desvios das autoridades. É nas escolas que devemos ensinar os interesses particulares, e os públicos. Os princípios de soberania, cidadania, a dignidade da pessoa humana, o valor social do trabalho e a livre iniciativa, e o pluralismo político. Esses princípios deveram ser ensinados no ensino fundamental. Na faculdade é tarde de mais.

  Constituição do Brasil:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.

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